domingo, 9 de agosto de 2009

Estou neste canto da cidade
Em que as luzes estão meias apagadas
Sinto uma brisa bater-me na face
Como se fosse corroer cada poro da minha pele
Sinto o mar a tocar , o meu corpo a recuar
Vejo o sol esconder-se como se fosse desfalecer
Vejo a luz do dia apagar-se
Vejo o mar a tocar , e o meu corpo de novo (e inocentemente) a recuar
Passo ante passo vou chuteando as pedras do meu caminho
Lanço o que resta da minha morte ( já devorada ) para ao nada
Sento-me naquele banco cinza-amargo-triste
(onde se sente a falta de tanta gente e de ninguém)
Vejo as horas
Minuto após minuto
Sinto o tempo passar
Sinto a angustia a passar-me por entre os dedos como se tivesse que a agarrar
Balanço a minha cabeça e escondo-a dentro do meu peito
Como se fosse intimidante o facto de eu estar ali sozinha com a lua
Olho-a de cima a baixo,faço os contornos dela com a minha mão no ar
Quem por ali passar
Há de pensar
Que sou uma sem nada
Uma pobre
Pobre de bens
Mas não sou pobre de espírito
Porque as palavras vêem ter comigo
( quando não sou eu a encontrá-las )
Não sou pobre de alma
Tenho as palavras
Já disse!
E quem acha que elas não tem valor,
Está enganado!
Deixo um recado,
Não sou pobre de alma
Tenho as palavras que quero
Quando quero
Sei jogar com elas
E por isso,
Repito,
Eu não sou pobre de alma , porque as palavras dizem aquilo que eu não consigo dizer quando fico sem elas (mesmo neste canto da cidade).

1 comentário:

  1. Está fabuloso. Tal como eu disse no outro dia, "Todas as palavras, mesmo imperfeitas, formam textos. As que saem da tua mão são das mais belas que existem.".
    Mas agora, quando eu disser "mete o texto X no blog" tu fazes, está bem?

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